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Jornal de Angola

Combate á pobreza abordado em seminário

Questões ligadas à execução dos programas municipais integrados de desenvolvimento rural e comba­te ~ pobreza estão a ser abordadas em seminário”, desde segunda-fei­ra, na província do Huambo.

O seminário, que decorre sob o lema “Combate à pobreza, um compromisso do Governo Angola­no”, tem como objectivo delinear as metas para a melhoria da qualidade de vida do povo angolano, em parti­cular da região do Planalto rural.

A acção de formação, que de princípio termina hoje, é dirigida aos administradores municipais, seus adjuntos, chefes das diferen­tes repartições municipais e vice-governadores para as áreas políti­ca, social e económica.

Os participantes estão a abordar e discutir, em vários painéis, temas li­gados ao combate à pobreza, desen­volvimento rural e comércio rural, numa perspectiva integrada em An­gola, como parte dos programas municipais integrados de desenvol­vimento rural e combate à pobreza, ­comercialização da produção agro­pecuária e armazenamento de exce­dente, programa “Água para todos”, estratégia para segurança ali­mentar e nutricional e municipali­zação dos serviços de saúde.

Na sessão de abertura do encon­tro provincial sobre a execução dos programas municipais integrados de desenvolvimento e combate á pobreza, o governador do Huambo, Fernando Faustino Muteka, disse que o Governo provincial pretende dar continuidade á redução da pobreza, em particular no meio rural, promovendo o acesso aos alimentos de qualidade e reduzir funda­mentalmente a dependência ali­mentar externa, com vista a fomentar as pequenas empresas agrícolas nas comunidades.

O governador assegurou que a reforma administrativa em curso, mormente a descentralização e in­dependência financeira, podem contribuir para a elevação da quali­dade do serviço público e a eficácia do Estado junto das comunidades, sobretudo nas zonas rurais.

“Erradicar a pobreza é muito difícil. Devo lembrar que nenhum país do mundo conseguiu acabar totalmente com este fenómeno”, afirmou Faustino Muteka, acrescen­tando que o Executivo vai criar me­canismos para minimizar os eleva­dos índices de miséria existentes no país, em particular na região do Pla­nalto Central, exigindo-se para tal uma continuidade e intensificação de acções bem concebidas, em ter­mos transversais e intersectoriais.

Faustino Muteka assegurou que, para conseguir atingir tal desidera­to, é necessária a participação de segmentos representativos da so­ciedade, desde líderes municipais, religiosos e comunitários, empre­sários, intelectuais e organizações não-governamentais.

Ministro reitera o compromisso com Metas do Milénio da ONU

O ministro da Educação, Pinda Simão, reiterou ontem, em Luan­da, o compromisso do Executivo de atingir as Metas de Desenvol­vimento do Milénio e os Objecti­vos de Dakar sobre a educação primária de qualidade para todos.

Pinda Simão, que discursava no acto nacional de abertura do ano lectivo 20 11, afirmou que, por esta razão, o Executivo assumiu os 11 compromissos para com a criança, num processo de parceria multi­sectorial e pluridisciplinar. Para is­so, acrescentou, estão envolvidos os 16 departamentos ministeriais, governos provinciais e municipais, agências das Nações Unidas e a so­ciedade civil.

A efectivação desses compromis­sos, prosseguiu o ministro, e a sua estrutura funcional vieram confir­mar qúe a educação das crianças é. Tarefa prioritária e deve mobilizar todas as forças vivas da Nação.

“Apesar disso, verifica-se que o processo acelerado de expansão da rede escolar ainda não abrange to­das as crianças em idade escolar e a qualidade dos serviços educativos ainda não é o desejável. Ainda te­mos pontos de estrangulamento na consecução dos nossos objectivos e planos”, admitiu.

Revelou que 20 11 vai ser o ano da generalização total do novo sistema de educação e que a expectativa se centra na sexta classe. Segundo o ministro, a organização selectiva e faseada da experimentação do novo sistema permitiu que, em cada província se desenvolvam experiências e competências locais de gestão que muito contribuíram para o enri­quecimento do currículo nacional.

Pinda Simão avançou que 2012 será um ano derradeiro para o Ministério da Educação. “Mas para que tudo aconteça naturalmente, será neces­sário, desde já, o empenho de todos e em particular das direcções pro­vinciais da Educação para as tarefas de preparação da avaliação global”, defendeu o ministro da Educação.

Pinda Simão pediu a colaboração dos encarregados de educação para o êxito da reforma educativa. “Ao tornarmos a nossa família numa es­cola de valores éticos, deontológi­cos e patrióticos, melhor poderemos contribuir para a criação de uma “Escola Amiga da Criança”.

 

Desabamento de represa numa fazenda causa inundações na comuna da Mupa

O desabamento da represa da fa­zenda Katwekatoka, em conse­quência da força da água das chu­vas, provocou na semana finda inundações na comuna da Mupa, município do Cuvelai, a cem quiló­metros de Ondjiva.

A chuva, que caiu intensamente durante dois dias consecutivos, destruiu a represa da referida fa­zenda e inundou as instalações da administração comunal da Mupa, o centro médico, escolas, o palácio comunal, posto policial, estabele­cimentos comerciais e lavras desta e de localidades circunvizinhas.

Segundo o administrador muni­cipal adjunto do Cuvelai, Matias Viesse, além destes estabele­cimentos, a circulação entre a sede do município de Omukolongojo e a comuna da Mupa esteve interrom­pida durante dois dias, em conse­quência do transbordo da represa da Katwekatoka. Para ele, é neces­sário que sejam aplicadas medidas que penalizem os empresários que teimosamente continuam a cons­truir represas mal projectadas e causadoras de grandes prejuízos à população.

O Jornal de Angola tentou ouvir os responsáveis da Katwecatoca, mas sem sucesso.

Para o soba Ernesto Tuafeni, a maior preocupação, nesta altura, é a situação das crianças, por serem as mais prejudicadas sempre que ocorrem cheias, por ficarem priva­das de frequentar as aulas”. Além disso,o surgimento de várias doen­ças, como a malária, diarreia e doenças respiratórias agudas, que causaram dezenas de mortes de crianças no ano passado, é outra das preocupações para o soba.

Nos últimos três anos, esta é se­gunda vez que as águas das chuvas inundam a comuna da Mupa e cau­sam vários estragos na comunidade.

Os Serviços de Protecção Civil e Bombeiros locais deslocaram na terça-feira, para o município do Cuvelai, uma equipa com o objecti­vo de constatar os estragos causa­dos pelo desabamento da represa da empresa Katwekaka.

O comandante provincial dos serviços de Protecção Civil e Bombeiros, Joaquim Domingos, disse que durante a construção da represa não foram tidas em conta algumas questões relacionadas com o impacto ambiental. Por essa razão alertou os empresários locais para que, antes de fazerem um pro­jecto desta natureza, devem procu­rar as entidades competentes, no sentido de realizar os investimen­tos com segurança.

O responsável revelou que as águas das cheias de 2011 já não vão afectar a cidade de Ondjiva, devido à construção dos diques de protecção e passagens de nível nos arredores. A Comissão de Protecção Civil, preocupada com a situação que a população da Mupa está a viver em consequência das inundações, le­vou alguns bens para minimizar as carências da comunidade afectada, com destaque para 50 mantas.

Os responsáveis dos Serviços de Protecção Civil visitaram os pon­tos mais críticos ao longo da via da. Mupa e percorreram a comuna do Evale, localidade que tem vivido maiores dificuldades com as cheias, mas que este ano ainda não registou grandes problemas.

Chuva volta a dar lição a empreiteiros e administradores

De acordo com alguns muníci­pes, Luanda não se encontra em condições para receber fortes cargas pluviometricas, devido ao fraco sistema de drenagem existente, pois, na sua maioria é datado do tem­po colonial e não benefi­ciou de trabalho de restau­ro, o que elevou o seu esta­do de degradação.    

A província de Luanda registou no passado dia 06 de Janeiro um dos piores danos causados pela chu­va: Foram contabilizados cerca de onze mortos e prejuízos materiais avulta­dos.

Para o ancião Avelino Cândido, a situação de Luanda poderá ser mini­mizada caso sejam feitos novos estudos no sentido da abertura de algumas valas.        

Eu lembro-me que no tempo colonial, principal­mente nas zonas periféri­cas de Luanda, eram aber­tas algumas valas e cacim­bas a fim de receberem as águas da chuva, o que diminuía as enchentes nas vias públicas e nas residên­cias”. 

Nos últimos tempos, os municípios do Cazenga, de Viana, de Cacuaco, do Sambizanga, da Maianga e do Kilamba-kiaxi, são os mais ilibados pelas que­das pluviometricas, dado que a chuva destrói árvo­res e residências, bem co­mo deixa danificadas al­gumas obras que são leva­das a cabo pelas emprei­teiras.

Por sua vez, o morador do município do Rangel Jacinto Manuel afirmou ao Factual que “é impor­tante que as coisas não sejam escondidas. A situ­ação das inundações, prin­cipalmente nos municípios do Cazenga e do Rangel tem muito a ver com o encerramento das valas e cacimbas onde escorriam as águas pluviais. Face a es­te quadro as águas da chu­va aglomeram-se ao longo das vias e das residências”.    

No périplo efectuado pelo Factual nos municí­pios do Rangel, do Kilam­ba-kiaxi, e do Cazenga foi possível visualizar o péssi­mo estado em que se en­contram as vias, o que está a dificultar a, circulação automóvel e de peões.

 

Natália do Amaral, moradora no município Kilamba     kiaxi, falou ao semanário que “é muito impressionante a situação que se está a viver em Luanda, pois, eu tenho acompanhado pela tele­visão e pessoalmente que algumas obras que tem sido feitas na nossa pro­víncia são a causa, por não serem concluídas a tempo, impedindo o escoamento das aguas da chuva”.     

A moradora afirmou que a construção de vias sem um prévio estudo para a colocação do sis­tema de esgotos tem con­tribuído bastante para as constantes inundações que acontecem em Luanda.          

No do Ca­zenga a situação é cons­trangedora, sobretudo no que toca à sétima avenida levada a cabo pela empreiteira Soares da Costa foram interrompi­das, o que causou um caos, pois, a circulação de au­tomóveis e peões foi igual­mente interrompida.

Para além do acumulo de lixo e de água ao longo da sétima avenida, a para­lisação das obras no local está também a causar vá­rios transtornos. Devido à interrupção dos trabalhos, várias residências se en­contram submersas, por­que a cacimba que recebia as águas da chuva foi eli­minada.         

Xavier Dias, morador da sétima avenida falou que “a chuva tem dado lições importantes, princi­palmente às empreiteiras e aos administradores muni­cipais, visto que quase nada têm feito para a mini­mização dos problemas causados pela chuva. Acho que a solução devia ser a responsabilização das em­preiteiras pelos danos cau­sado, porque já é muito o sofrimento.

“As administrações municipais devem come­çar a agir de forma a não admitirem empreiteiros fantoches. Aqui, na sétima avenida, me lembro que nos anos noventa as casas não ficavam inundadas porque toda a água escor­ria para a cacimba, mas com a implementação des­ta requalificação que só tem trazido muita dor de cabeça às pessoas, nós estamos sujeitos a abando­nar as nossas residências sempre que chega o tem­po chuvoso”, afirmou o morador, com ar cons­trangido.

 

 

Cheias do kwanza fazem estragos nos campos cultivados

O ano agrícola de 2010/2011 no município da Quissama, pro­víncia do Bengo, está compro­metido devido às cheias. As chuvas são constantes e o ní­vel do rio Kwanza sobe diaria­mente, com consequências ne­gativas para a economia agrí­cola. Muitas lavras encontram-se submersas e os produtos do campo começam a rarear e a subir de preço.

As autoridades estão preocupa­das com a situação e já tomaram medidas. Foi feito o levantamento do número de sinistrados e foram registadas 1.505 famílias afecta­das pelas cheias.

“Temos o número exacto de loca­lidades atingidas. O problema está nas áreas de cultivo danificadas, qualquer coisa como 780 hectares com milho, mandioca, batata-doce, feijão e abóboras”, informou João Martins, administrador municipal da Quissama.

“Precisamos de apoios do Ministério da Assistência e Reinser­ção Social e da Protecção Civil, por­que vamos entrar num período de fome daqui a dois ou três meses”, disse o administrador municipal da Quissama.

As populações ribeirinhas de­pendem do produto das lavras. “As cheias destruíram as plantações e sem produção agrícola as pessoas que vivem do campo, não têm ou­tra fonte de rendimentos”, disse o administrador municipal.

A Direcção Provincial da agricultura, a Mecanagro e o Instituto de desenvolvimento Agrícola, logo que haja condições “vão apoiar-nos com máquinas e alfaias para preparamos terrenos no interior, mais longe do rio. Depois vamos distribuir sementes e aproveitar as grandes chuvas de Abril para recuperarmos alguma produção, ” disse João Martins.

O município da Quissama é atravessado a Norte pelo rio Kwanza, a Sul pelo rio Longa e a Sudoeste pelo oceano Atlântico. Tem uma população de 22.308 habitantes, maioritariamente camponeses.

N as últimas semanas tem caído muita chuva, o que provocou as cheias. O Kwanza invadiu as cul­turas ribeirinhas do bairro Pita, na Muxima, e o milho está sub­merso. O rio transbordou e inun­dou uma área de dois quilóme­tros. A força da corrente é enor­me. As cheias tomaram conta de aldeias ribeirinhas como Gondo­la, Condole, Dele, Caululu, Ca­coba, Culemba e várias zonas da Muxima. As águas invadiram as lavras mas não causaram prejuízos nas casas.

Em Caululu e Culemba, as ca­sas construídas perto das mar­gens do rio Kwanza estão em ris­co e são inundadas, caso as chu­vas continuem. Rita José, uma das camponesas da Muxima, tem seis lavras nas imediações do bairro do Pita. Disse à nossa reportagem que “não sabemos o que vamos comer, porque o que semeamos para colher daqui a alguns meses ficou tudo estragado por causa das cheias”. Rita José acrescentou que “perdemos tudo e isto pode trazer uma crise de fome”.

Susana Domingos disse que nes­te ano agrícola contava colher algumas toneladas de tomate e milho para o seu sustento e para vender nos mercados da região.

“Com esta situação perdemos as colheitas e se vamos ao mercado comprar, tudo está caro. E muitas vezes só encontramos aquilo que precisamos nos mercados de Luan­da”, afirmou Susana Domingos.

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