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Jornal de Angola

Casa destruída e lavras alagadas

Um total de 10 casas ficaram destruídas nos bairros Ngola Nhinhi, CTT, Camagile e Terra Nova, no município do Lucala, a 36 quilómetros de Ndalatando, em consequência das chuvas que se abateram na região durante os últimos dias.

 De acordo com a Angop, vários camponeses da região afirmaram que as chuvas, acompanhadas de fortes ventos, provocaram a des­truição de diversas lavras, provo­cando a submersão de outras, principalmente as situadas em re­dor do rios Bembeze, Bondo e Lutanda que, devido ao aumento do caudal, transbordaram.

Domingas António, proprietá­ria de cinco hectares de terra cul­tivada na área do rio Bembeze, afirmou que metade dos manti­mentos semeados, como o milho, feijão, ginguba, mandioca, batata­ doce, banana e palmeiras, se encontram inundados.

O responsável da EDA do Lu­cala, Manuel Pimenta, adiantou que nos últimos dias se regista­ram chuvas com 38,5,mm de água. O que significa terem sido de grande intensidade e que prejudicam as culturas.

Nesta altura, a administração municipal do Lucala procede ao levantamento da situação para fazer a avaliação dos estragos pelas chuvas. A situação, disse a fonte é alarmante.

Mucaba

 

Os camponeses da localidade de Quipanzo, município de Mucaba, Uíge, estão a pedir apoio, no qua­dro do programa de crédito agríco­la de campanha, para poderem me­lhorar a produção agrícola, com vista a combater a fome e a pobre­za na comunidade.

Os agricultores consideram existir terra favorável e um vasto espaço para incrementar, em grande escala, a produção de café, mandioca, gin­guba, feijão, batata-doce e rena, ba­nana, cana-de-açúcar e outros.

O agricultor Santos Rodrigues solicitou, na segunda-feira, apoio com máquinas de lavoura para au­mentar a produção.

O outro problema que aflige os camponeses do Mucaba, sublinhou, prende-se com a falta de empresas ou pessoas singulares que possam comprar o café em posse dos produ­tores locais. “No segundo semestre de 20 I O ganhámos um mercado ru­ral de café a nível do município, por intermédio do Instituto Nacional de Café. Na altura, vendemos o café que estava ao nosso alcance, mas até à data existe muito café armazenado e não temos como escoá-lo 1- por falta de compradores”, lamen­tou Santos Rodrigues.

Os trabalhos consistiram na cons­trução de valas de drenagem, subs­tituição da faixa de rodagem e construção de aquedutos em be­tão para permitir o escoamento das águas pluviais.

Colocação de pavimento, insta­lação de separador central, para­gens dos transportes públicos e passeios para peões são trabalhos realizados nas ruas de Ondjiva.

Chuva provoca prejuízos na cidade de Ondjiva

A cidade de Ondjiva registou inundações devido à chuva que caiu durante a noite de sexta-fei­ra para sábado. No primeiro ba­lanço, as autoridades registaram 50 casas inundadas e muitas vias ficaram intransitáveis.

A chuva, que caiu intensamente toda noite, inundou casas e estabe­lecimentos comerciais, igrejas e deixou muitas vias rodoviárias e passagens para peões intransitáveis nos bairros Pioneiro Zeca, Bangu­la, Naipalala e Kashila, nos arredo­res de Ondjiva.

Ilda Venokanya, moradora no bairro Pioneiro Zeca, o mais afec­tado pelas inundações, disse à nos­sa reportagem que a sua casa foi in­vadida pela água e não conseguiu tirar nada do interior porque estava toda a gente a dormir e a família foi apanhada de surpresa. “Estão a de­correr obras na rua e o entulho im­pediu o escoamento das águas que acabaram por inundar muitas ca­sas”, explicou.

Ema Tutaleni, também mora­dora no bairro Pioneiro Zeca, con­firmou que os trabalhos nas ruas do bairro ajudaram às inundações. Mas nas vias de acesso não há obras e está igualmente tudo inun­dado. A verdade é que choveu in­tensamente toda a noite, o que não é normal.

No bairro dos Castillios as inun­dações não pouparam algumas ins­tituições, como a Direcção Provin­cial das Edições Novembro, e arre­dores da Direcção de Saúde, na Rua Dr. António Agostinho Neto e antena da Unitel, no bairro Bangu­la, mas sem grande prejuízos.

A nossa reportagem percorreu várias artérias da cidade de Ond­jiva e era notório o desespero das pessoas que retiravam água das suas casas com baldes e com mo­to bombas.

O estado de degradação em que se encontram algumas estradas in­termunicipais e as vias de acesso à cidade de Ondjiva tem provocado dificuldades na circulação de pes­soas e mercadorias. O cenário das ruas do bairro Pioneiro Zeca, arre­dores de Ondjiva, é de total destrui­ção. Os buracos tomaram conta de tudo. Em tempo de chuva vem a la­ma e as águas estagnadas, o que di­ficulta a vida dos seus habitantes.

A degradação das vias também afectou a estrada que liga Ondji­va a Santa Clara. A via, para além de esburacada, é estreita e perigo­sa devido ao desgaste continuado das bermas.  Cenário idêntico acontece com a estrada entre Ondjiva e úl1 Cuvelai, numa distância de 170 quilómetros.     

 

 Reabilitação das ruas        

 

As ruas Angélica Tavares, Simione Mucune e Avenida 11 de Novembro, na cidade de Ondjiva, receberam novo tapete asfáltico, no âmbito do programa de reabilitação e recuperação das infoestruturas destruídas pelas cheias nos últimos dois anos.


Lei da violência doméstica volta ao parlamento

O projecto de Lei Contra a Vio­lência Doméstica volta hoje a dominar o debate na Assembleia Nacional, com a análise da pro­posta na especialidade. O docu­mento foi retirado da agenda de debates da última sessão ordi­nária do Parlamento, depois dos deputados terem concluído que carecia de mais contribuições da Assembleia Nacional e da so­ciedade civil.

Os membros das comissões de Saúde, Ambiente, Acção Social, Em­prego, Antigos Combatentes, Famí­lia e Promoção da Mulher dos As­suntos Constitucionais e Jurídicos e dos Direitos Humanos e Petições dos Cidadãos do Parlamento decidiram prolongar o período de debate para melhor reflexão.

A proposta tem como objectivo a criação de mecanismos legais que protejam a vítima do crime de vio­lência praticado no âmbito fami­liar. O documento não propõe a re­vogação de nenhuma Lei, apenas o reforço do Código Penal, num as­pecto que o diploma não contem­pla, que é a especificação do crime.

No primeiro debate na especiali­dade, a deputada do MPLA Ana Maria de Oliveira, ao apresentar o relatório elaborado pela primeira, sétima e nona comissões de espe­cialidade da Assembleia Nacional, recordou que com a provação de urna lei específica, o Executivo pretende alterar a situação de violência do­méstica no país.

Ontem, Idalina Vieira, jurista do Ministério da Família e Promoção da Mulher, em declarações à Rádio Nacional de Angola, disse que o pro­jecto envolveu especialistas de di­versas áreas e que, ao ser aprovado, o país passa a contar com um instru­mento de grande valor na estrutura­ção das famílias angolanas.

De acordo com a proposta de Lei à qual o Jornal de Angola teve acesso, o Executivo pretende dar maior celeridade processual ao tratamen­to de situações de violência domés­tica. O documento realça ainda que o número de casos de violência no seio das famílias angolanas, obriga

. a encarar o problema como um “ca­so nacional urgente”, mercê dos vem reforçar o Código Penal, de­bruçando-se sobre aspectos que este não contém, nomeadamente, a especificação do crime de vio­lência doméstica.

A proposta de lei alarga o núme­ro de pessoas que podem denun­ciar e tornar público o crime de violência doméstica, protegendo a vítima das desistências que têm ocorrido por pressões do agressor, da família e até do instrutor que a desincentiva da queixa.

Um relatório do Ministério da Fa­mília e Promoção da Mulher en­tregue à Assembleia Nacional, re­vela que, desde a criação da Se­cretaria de Estado para a Promo­ção da Mulher, o combate à vio­lência contra a mulher, constitui uma grande preocupação.

No relatório, o ministério de tu­tela esclarece também, que a então Secretaria de Estado para a Promoção da Mulher, reforçou o seu tra­balho, criando centros de aconse­lhamento em todo o país.

No documento refere-se que, apesar da violência doméstica ser ainda hoje um “crime oculto”, cons­tituindo tabu para muita gente, cresce o número de pessoas que rompem as barreiras psicológicas, denunciando os maus-tratos a que são sujeitas.

Para o Ministério da Família e Promoção da Mulher é também grande preocupação o surgimento de fenómenos como o da feitiçaria, em que as crianças e os idosos são acusados de serem porta-dores de grandes males e desgra­ças para a família.

 

 

Lei dos Crimes de Violência Doméstica

Sobre a Lei Contra a Violência Doméstica, João Maria de Sousa tem uma opinião própria:

“A Lei sobre a Violência Do­méstica como tal ainda não existe porque não foi aprovada pela As­sembleia Nacional e muito menos foi promulgada e publicada. Mas o nosso país tem necessidade de uma lei que vise a prevenção no combate à violência doméstica.

Porque a violência doméstica nas suas várias formas é uma tragé­dia para as famílias e para o Estado.

No meu ponto de vista, se o que se pretende com a provação da Lei Contra a Violência Doméstica é fa­zer com que não haja violência no lar, nós não podemos, de nenhum modo, conceber uma lei que venha fazer exactamente o contrário.

Temos de fazer uma lei que efectivamente venha no sentido de criar harmonia e estabilidade no seio das nossas famílias, que não crie diferenças abismais que coloquem o homem numa posição e a mulher noutra.      

De acordo com a Constituição da República, não há distinção entre o homem e a mulher quanto aos seus direitos e, por isso, a lei que está no Parlamento e se prevê que venha a ser aprovada nos próximos tempos, deve ser tratada com muito cuidado.

Na minha opinião – e não da PGR – devemos preocupar-nos em ter uma lei que se ocupe apenas do fac­tor criminal, uma vez que o próprio título é “lei dos crimes de violência doméstica”. Por isso vai tratar de aspectos criminais em concreto”.

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