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Jornal de Angola

Promulgada lei sobre o regime de taxas

O Presidente da República, José Eduardo dos Santos assi­nou e promulgou, ontem, as leis sobre o Regime de Taxas e so­bre o Regime Jurídico de Nota­riado, as leis de Alteração aos Códigos de Registo Predial e do Notariado.

Uma nota da Secretaria para os Assuntos de Comunicação Institu­cional e Imprensa do Presidente da República anuncia que foram tam­bém assinadas e promulgadas a lei das Transgressões Administrativas e as leis de Alteração ao Código Civil e dos Feriados Nacionais e Locais e datas de celebração nacional.

O Presidente José Eduardo dos Santos assinou e promulgou, na semana passada, o Decreto Presidencial so­bre os Planos Integrados de Expan­são Urbana e Infra-estruturas de Luanda e Bengo, além dos Decretos Presidenciais sobre o Regime de desafectação dos Terrenos do Domínio Público Marítimo de Luanda e sobre o Regime de Criação do Kilamba e Atribuição do Foral.

Os documen­tos, refere a nota, foram rubricados e promulgados pelo Presidente da Re­pública, no uso das prerrogativas que lhe confere a Constituição.

 

 

Investimentos públicos devem ter impacto na vida do cidadão

Os Projectos de Investimentos Públicos devem reflectir-se na vida dos cidadãos para se cumprirem os objectivos das políticas públicas do Executivo, defendeu, ontem, em Luanda, Rui Santos, professor do Instituto Nacional de Administra­ção de Portugal.

Rui Santos falava no primeiro Seminário Técnico e Metodológi­co sobre a Programação, Gestão e Avaliação do Investimento Públi­co, a propósito de “modelos lógi­cos de programação do investi­mento público”.

O seminário, promovido pelo Ministério do Planeamento, foi di­rigido a técnicos dos departamen­tos de estudo e planeamento dos Ministérios e dos governos provin­ciais. Os técnicos, na elaboração dos projectos de investimentos pú­blicos, referiu o orador, devem usar o método de enquadramento lógi­co, que consiste na aproximação dos investimentos às necessidades dos cidadãos.

A aproximação dos projectos pú­blicos às necessidade dos cidadãos, frisou, é a razão de ser do Decreto Presidencial n° 31/10, de 12 de Abril, referente ao investimento público como um instrumento na resolução dos problemas dos cida­dãos e na melhoria da vida das populações. Rui Santos alertou que o decreto é apenas “uma mera ferra­menta” porque o objectivo final é que os recursos públicos sejam ad­ministrados com mais eficácia e eficiência. 

O Decreto Presidencial, lembrou, acautela o problema de muitos pro­jectos com o orçamento todo pago, mas cuja implementação não arran­ca. “Muitas vezes aceita-se assinar um contrato num valor inferior àquilo que vai ser necessário, pensas­se que se vai gastar cem mil e acaba por se gastar 500 mil. A inversa tam­bém acontece”, esclareceu.

O docente frisou que a orçamen­tação pouco rigorosa tem como consequência a existência de muitas obras não concluídas e com cus­tos muitos elevados.

Rui Santos defendeu a necessi­dade de se definir um custo padrão e exemplificou: o preço de uma es­cola pode custar uma determinada quantia na província, região ou país para que se evitem situações de subfacturação.

Esta metodologia, de enquadra­mento lógico, disse, é de referência em instituições internacionais, co­mo o Banco Mundial, a União Eu­ropeia e o Fundo Monetário Inter­nacional na elaboração, gestão e avaliação de projectos.

Américo dos Santos, professor da Universidade Técnica de Lisboa, falou, também, sobre “intro­dução à avaliação socioeconómica de projectos”.

O também economista defendeu que os técnicos dos departamentos de planeamento devem, na fase de elaboração de políticas pública, contar com o contributo de sociólo­gos, antropólogos e juristas para os com as acções formativas no sector projectos de investimento públicos serem mais realistas com as neces­sidades do povo.

Formação contínua

A Ministra do Planeamento, Ana Dias Lourenço, disse que o seu Mi­nistério vai intensificar o processo de formação de quadros, com ses­sões centradas em exercícios práti­cos, através de um ciclo formativo que vai prolongar-se até Julho.

Ana Dias Lourenço reconheceu que os gabinetes de Planeamento e o Ministério apresentam algumas de­bilidades, pelo que o esclarecimento e formação dos recursos humanos são fundamentais para o sucesso dos processos de modernização e ade­quação do funcionamento das insti­tuições. “Recentemente foi aprova­da pelo Parlamento a Lei do Sistema Nacional do Planeamento, que defi­ne como deve funcionar o sistema. Temos de estruturá-lo e a questão dos Recursos Humanos é uma peça fundamental” disse.

Ana Dias Lourenço salientou que o Ministério do Planeamento vai começar a trabalhar com o estudo de casos, exercitando, através de sessões, para aperfeiçoar as técni­cas e aplicar as metodologias.

“Este seminário constitui o pri­meiro de um leque de outros semi­nários e de sessões de capacitação técnica a ter lugar junto dos secto­res e províncias, cobrindo o maior número possível de quadros técni­cos”, disse.

O seminário, que decorreu du­rante dois dias na Escola Nacional de Administração, terminou ontem e teve a presença da ministra e dos vice-ministros do Planeamento.

Combate á pobreza passa pelo reforço de mecanismos de prestação de contas

O seminário sobre a imple­mentação dos programas de combate à pobreza que durante dois dias reuniu personalidades de vários sectores, na Huíla, re­comendou o reforço dos meca­nismos de prestação de contas, aprimoramento dos instrumen­tos de programação e a melhoria da gestão financeira e monitoria.

De acordo com o comunicado produzido no final do encontro, que terminou no sábado, os gesto­res públicos devem ter em atenção as regras de execução do orçamen­to, particularmente a inserção do pessoal admitido e o pagamento dos salários, e rigor no cumprimen­to dos prazos para o expediente de contratação, admissão e falecimen­to dos funcionários.

O encontro considerou que as ad­ministrações municipais devem re­meter, trimestralmente, à delega­ção provincial das finanças, os pro­cessos da sua programação finan­ceira, para o devido tratamento.

Os participantes defenderam ainda ser urgente o garantir da exe­cução de projectos capazes de faci­litar o acesso aos alimentos a todos os cidadãos, especialmente os mais necessitados.

Consideraram, igualmente, per­tinente a criação de bancos de se­mentes para auto sustentabilidade e de um modelo institucional de ges­tão operacional do programa “Água para Todos”, para garantir a operacionalidade e a sustentabili­dade dos sistemas, com realce para os municípios com baixa cobertura destes serviços.

“Urge também criar-se mecanis­mos para implementação da estra­tégia de revitalização dos serviços municipais de saúde e funciona­mento dos comités de auditoria de mortes maternas e pré-natais, a promoção da participação comuni­tária, incluindo agentes afins e a ar­ticulação dos níveis de atenção pri­mária e os demais cuidados de saú­de”, lê-se no documento.

No âmbito do programa munici­pal integrado de desenvolvimento rural e combate à pobreza, os partici­pantes defenderam a inserção de projectos nos planos dos orçamentos municipais. Além disso, exigiram maior protagonismo dos conselhos de auscultação e concertação social a nível local, de modo a torná-los parte integrante do desenvolvimento dos municípios.

Durante dois dias, foram discuti­dos três painéis. O primeiro incidiu no combate à pobreza, desenvolvi­mento rural e comércio rural numa perspectiva integrada. No segundo painel, os participantes discutiram questões como programas munici­pais integrados, agua para todos, estratégias para a segurança alimentar e nutricional e municipalização dos serviços de saúde. No terceiro foram discutidos os mecanismos de planificação e fi­nanciamento de programas munici­pais integrados e a reestruturação das parcerias.

O encontro contou com a partici­pação de 200 pessoas, entre delega­dos, directores provinciais, admi­nistradores municipais adjuntos, chefes de departamento, adminis­tradores comunais, chefes de secre­taria, de secção, do plano, técnicos de administrações municipais, au­toridades tradicionais, membros da sociedade civil e responsáveis de instituições bancárias.

Alerta aos funcionários públicos Licença ilimitada obedece a regras claras

Os gestores públicos da província da Huíla foram esclarecidos sobre matérias relativas às licenças regis­tada e ilimitada e os seus efeitos e implicações na vida dos funcioná­rios públicos.

Ao intervir no encontro provincial sobre implementação dos programas municipais integrados de desenvol­vimento rural e combate à pobreza, que encerrou no sábado, o director provincial da Administração Públi­ca, Emprego e Segurança Social, Al­bino Ferro, alertou os funcionários para acautelarem o pedido de licen­ças ilimitadas pelo facto de se tratar de um período nulo na contagem para a reforma. “Os funcionários de­vem saber os efeitos da licença limi­tada e ilimitada, pelas implicações na sua vida, pois a vaga deixada por si no período de dispensa é aberta e passível de ser ocupada por outro funcionário que concorra em con­curso para um lugar na função pú­blica”, esclareceu.

Estes aspectos, referiu, constam do Decreto-Lei 10/94 sobre as fé­rias, licenças e faltas onde se declara a nulidade deste período na sua efectividade, não contando para a reforma, um dos efeitos resultantes dos pedidos de licença, de acordo com o período solicitado Quanto à licença registada, acres­centou Albino Ferro, obedece a um período de até um ano, a começar por seis meses e passíveis de reno­vação, findo o qual devem imedia­tamente apresentar-se no local de trabalho, enquanto a licença ilimita­da, transcende um ano para adian­te. Os motivos para a cedência da li­cença são determinados pelo solici­tante e analisados pela entidade em­pregadora. Por isso, os funcionários devem prevenir-se, pois uma licen­ça ilimitada acima dos cinco anos, além do seu tempo ser nulo para a reforma, retira igual número de anos o tempo de alcance da reforma.

Plano de ajuda à mulher “zungueira”

A Direcção Provincial da Famí­lia e Promoção da Mulher do Bié está a estudar estratégias para jun­to dos órgãos competentes do Go­verno melhorar a vida das vende­doras ambulantes, “zungueiras” ­integrando-as no sistema educativo e de formação profissional.

Este projecto é uma das reco­mendações saídas do III Conselho Consultivo da Direcção Provincial realizado na cidade do Cuito, na quinta-feira.

A ideia é a concepção de opor­tunidades, tanto no mercado for­mal como no informal, para estas mulheres, através da criação de movimento femininos e aproveitando as experiências de escolas de campos existente em todos os municípios. O Conselho Consulti­vo recomendou que sejam redobra­das as acções de educação para o combate à violência no género que atinge níveis preocupantes e às prá­ticas tradicionais negativas.

O uso e consumo exagerado de bebidas alcoólicas e o fraco poder económico das famílias é um dos factores que explica o crescimento da violência doméstica. Por isso, a Direcção Provincial da Família e Promoção da Mulher quer cultivar na consciência do homem a harmo­nia no seio familiar.

Os participantes no Conselho Consultivo sublinharam Que nas comunidades e instituições públi­cas e privadas já é visível um número importante de mulheres com cargos profissionais e a dirigirem serviços, embora reconheçam que muito ainda há por fazer.

A ignorância e o esquecimento da sociedade em relação à mulher rural foram outras das preocupa­ções apresentadas.

A directora provincial da Famí­lia e Promoção da Mulher, Ana­bela Ngunga, disse que o encon­tro decidiu intensificar as acções, programas e projectos específi­cos de carácter social, para dar resposta aos problemas que afli­gem as famílias.

A Direcção vai procurar apri­morar a educação cívica e a sensi­bilização das famílias para o res­gate dos valores éticos, morais e culturais, com o envolvimento da sociedade civil.

Projecto de desenvolvimento local é financiado pelo Banco Mundial

 

O Governo angolano e o Ban­co Mundial (BM) assinaram on­tem, em Luanda, um acordo de crédito no valor de 81,7 milhões de dólares, para a implementa­ção do projecto de desenvolvi­mento local voltado para o com­bate à pobreza.

Da parte do Governo assinou a ministra do Planeamento, Ana Dias Lourenço, e do Banco Mundial o representante residente da institui­ção em Angola, Eleotério Codato.

O projecto deve ser implementa­do pelo Fundo de Apoio Social (FAS), um programa de redução da pobreza do Executivo, que em mais de 14 anos beneficiou 4,5 milhões de pessoas, através da provisão e reabilitação de 2.800 infra-estrutu­ras sociais e económicas.

A estratégia de longo prazo de desenvolvimento do Executivo es­tá salvaguardado no projecto, que conta com algumas prioridades. Estas passam pela necessidade de se redefinir as assiIJ1etrias provin­ciais, as disparidades sociais no acesso aos bens de consumo bá­sicos e a importância de promo­ver uma economia local diversi­ficada voltada para a melhoria do bem-estar social.

O fortalecimento da capacidade das administrações municipais pa­ra a prestação de serviços de quali­dade e o reforço das capacidades institucionais dos municípios, são outras prioridades do programa, a par da melhoria do acesso aos ser­viços básicos e das oportunidades económicas às famílias pobres.

Para já, o projecto assenta em três componentes: infra-estrutura lo­cal social e económica, desenvol­vimento económico local e forta­lecimento local institucional.

Com a primeira componente pre­tende-se aumentar o acesso das fa­mílias às infra-estruturas sociais e económicas – A segunda, voltada para a melhoria das habilidades de de­senvolvimento de negócio, tem por objectivo uma participação em mer­cados de grupos seleccionados de produtores, que forneçam assistên­cia técnica. Com esta pretende-se também estabelecer parcerias de micro-finanças. A terceira compo­nente visa fortalecer a capacidade das entidades públicas e a sociedade civil no planeamento participativo.

A ministra do Planeamento con­siderou que o Programa de Desen­volvimento Local, enquanto ins­trumento de complementaridade das acções do Executivo, é favorá­vel à redução da pobreza e ao de­senvolvimento de programas mu­nicipais integrados.

“Estamos em condições de ini­ciar o projecto. O Fundo de Apoio Social (FAS) tem identificado vá­rios programas em vários municí­pios e vamos continuar a desenvol­ver o projecto com o mesmo empe­nho de há 16 anos”, assegurou Ana Dias Lourenço. A ministra esclare­ceu que o acordo é uma redefinição do FAS, o que se adapta aos objec­tivos e programas do Governo de redução de pobreza.

O representante residente do Ban­co Mundial em Angola garantiu que a instituição tem acompanhado os resultados dos programas anterio­res e pede mais empenho das enti­dades encarregues de desenvolver o projecto.

“Tenho a convicção de que o em­penho do Ministério do Planeamen­to e a equipa do F AS vão fazer com que este novo programa se alargue em relação aos anteriores”, realçou Eleotério Codato.

O representante do BM disse acre­ditar que o projecto, a ser implemen­tado nas 18 províncias do país, vai produzir bons resultados, enquanto instrumento que apoia as políticas do Executivo em prol da descentrali­zação e contra a pobreza.

Victor Hugo Guilherme, director executivo do F AS, entidade que desenvolve o projecto, garantiu estarem já preparadas as condições par a sua execução. Dentro de um mês anunciou, a organização reinicia a suas actividades que ficaram inter rompidas por falta de dinheiro.

Ao contrário das fases anteriores em que o projecto beneficiava apenas algumas províncias, estava abranger todo o país. “Cabe ao governos provinciais escolherem os municípios a serem beneficia dos”, sublinhou.

Victor Guilherme informou que além do acordo com o BM, continua o esforço para a assinatura demais acordos com a União Euro peia para suportar os projectos, serem implementados.

Além disso, reconheceu a insuficiência do crédito face às inúmeras necessidades do país, numa altura em que quase se perspectiva uma outra componente do projecto que, embora seja piloto, pretende apoiar os pequenos produtores para a cria­rão de emprego e o aumento do seu rendimento.  

 

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