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Agora

Tribunal de Contas exige disciplina nos fundos públicos

O presidente do Tribu­nal de Contas (Tc) ga­rantiu que à boa governação e transparência exis­tirá se haver um sistema de con­trolo eficaz a satisfação dos interesses colectivos e o alcance da justa repatição dos rendi­mentos e da riqueza.

Julião António, que falava numa palestra sobre “O papel do Tribunal de Contas” dirigida aos diplomatas, referiu que uma boa governação só com um con­trolo forte e sério em todos os seus procedimentos .

“A boa governação e trans­parência naõ são produtos  aca­bados que se podem encontrar na prateleira de uma qualquer loja ou de qualquer parte do mundo. Não há nenhum produ­to com o rótulo boa governação e transparência da gestão de fundos públicos que qualquer gestor possa comprar”, adver­tiu, acrescentando ser um pro­cesso de adaptação, disciplina do gestor perante o erário e pa­trimónio públicos, envolvendo prática correcta da aplica­ção de fundos colocados à ­sua disposição, de respon­sabilização e de equilíbrio para organizar e coorde­nar uso dos recursos fi­nanceiros, visando a satisfação do interesse co­lectivo.

Quer a Constituição as demais leis reguladoras da gestão do erário públi­co apenas serão reforça­dos se os mecanismos estabelecidos na “Lei Or­gânica e dos Processos do Tribunal de Contas pode­rem ser verdadeiramente interactivos e capazes de responsabilizar, de facto, os gestores públicos que violem procedimentos estabeleci nas regras de gestão orçamentos.

Pequenas profissões da sobrevivência

É o caso dos barbeiros que têm registado um cresci­mento significativo entre os jovens e adolescentes, muitos os quais sem formação básica, fazendo das “tripas coração” em busca da sobrevivência.

Localizámos três jovens que ajudam a manter o “look” das pessoas envolvidos num projecto e uma pequena barbearia na rua rei Katyavala, a escassos metros da Junta Nacional da Saúde.

Adilson Domingos, 20 anos, três dos quais dedicados ao ofíc­io, aprendeu com um amigo no Hoje-Ya-Henda e actualmente la­buta neste “projecto juvenil”.

“O mentor desta iniciativa que está a caminho de dois anos foi o meu amigo Osvaldo que agora reside em Cacuaco e, por falta de dinheiro de táxi; que chega a ser mais de 500 kwanzas por dia, aparece apenas aos fins­-de -semana”, disse Eidy, para quem o projecto é rentável mas com receitas variável porque con­seguem em média, arrecadar mais de 4 mil kwanzas por dia.

Antes de exercer esta ac­tividade, o jo­vem trabalhava numa empresa de electricida­de e devido aos elevados custos de transporte e alimentação re­solveu abando­nar, dando outra dinâmica à sua vida ao enveredar nes­te ofício.

“Com uns pequenos fer­rinhos, lona média, duas cadeiras e um espelho já ra­chado estes jovens cuidam da nossa bele­za de maneira milagrosa. A primeira vez que cortei o cabelo neste pequeno salão, há um ano, senti vontade de regressar. Nunca me decepcionaram e acredito que jamais o farão, porque têm mes­mo talento”, contou António Sér­gio, cliente há três semanas, sublinhando que os cortes dei­xam de boca aberta todos os que por ali passam.

Já Dj Rui Gomes regularmente frequenta o local e nunca se arre­pendeu. “Desde que solicitei este serviço não tenho qualquer motivo de queixa, tenho apenas um barbeiro e quando pretendo fazer o meu corte, o jovem Eidy está sempre disposto para cuidar da minha beleza”.

Graças ao seu talento e com andar do tempo os jovens terão responsabilidades de melhorar as condições para servir os clientes.

“O empreendedorismo não faz mal a ninguém e nunca é demais três jovens serem pequenos empresários de pequenos negócios de sobrevivência, pois os apoios só vão melhorar, as suas responsabilidades e ajudarão a desenvolver o país”, defendeu.

Mesmo junto da barbearia encontra-se uma costureira e logo entrada do beco enxergamos exposição de venda de roupa trajes africanos provenientes de Ponta Negra, Congo Brazaville.

A costura é a outra forma de muitas senhoras sobreviverem quer por encomenda como roupas feitas com os materiais da casa.

Gisela Imbi aprendeu a costurar desde pequena numa escola da RD Congo, tendo depois regressado ao país para ficar junto da família e decidiu enveredar, por esta profissão para sobreviver.

“Quando aprendi era simplesmente para fazer parte da minha vida como uma senhora futura dona de casa, mas por causa do desemprego resolvi mostrar as minhas habilidade O meu irmão mais velho também vive deste trabalho, trabalhei alguns anos com ele até que há oito anos formei esta pequena empresa que já emprega três, jovens”, explicou a costureira, re­alçando que todos os dias hom­ens e mulheres solicitam uma peça com o seu material e os que querem apenas a mão-de-obra. Para as mulheres encontrám­os, buba, vestidos, calças, saias, usas, roupas interiores e outros acessórios que o cliente encomenda no tecido da sua preferência para os homens haviam camisas, calças e calções, assim como de venderem, no mesmo local, tecidos de fabrico nacional e estran­geiro.

“Alguns tecidos compramos no Lubango, Cabinda e na Ponta negra, por isso comercializamos com preços diferentes. Há peças simples que podem rondar nos 2500kz e as com maior qualidad­e custam 50 dólares”, frisou.

Por outro lado, Joaquim António contou ao AGORA que come­çou a preocupa-se com a venda ambulante de roupa desde que há quase quatro anos estava desempregado.

“Dirigi-me à fiscalização de Luanda onde me mandaram tra­tar um cartão de contribuinte e de vendedor ambulante, para ocupação de espaço verde só daí que há dois anos iniciei o meu negócio”, salientou, esclarecendo, que a renda diária é de 20 mil kwanzas e conta com apenas um trabalhador.

Este vendedor ambulante adiantou também que investe mensalmente 1000 dólares na compra de vestuário, arrecadan­do o mesmo valor como lucro, mas que até agora o grande obs­táculo é o desalfandegamento das mercadorias.

As roupas são comercializa­das com preços de 1.500kz por t-­shirt, calça 2.500kz, calção 1.500kz e sapato de 5 a 6 mil.

Baixo rendimento. Logo ao lado os homens da recauchuta­gem são outros profissionais que lutam bastante para garantir o seu sustento.

Para o chefe da recauchuta­gem, este emprego serve apenas para desenrascar, dado que des­de há 13 anos os rendimentos são muito magros. É um emprego simplesmen­te para sobreviver, até porque os antigos colegas desistiram. Con­segui mais dois jovens que até ao momento estão comigo”, refe­riu Manuel Francisco, pontualidade que diariamente arrecada cerca de 4 mil kwanzas  ajudam com uma contribuição”, reconheceu, apontando que uma das questões preocupantes é o es­paço utilizado, pois é um beco que serve de passagem para os moradores da área que todos os dias são importados pelo excesso de pneus no seu caminho.

Acudam estes rapazes!

Vieram do interior para tentar uma vida melhor em Luanda. Percorrem as ruas da capital, debaixo do sol ardente, dedicando-se, na sua maioria, à venda ambu­lante. Alguns já são chefes de farm1ia precoces.

Ganham ape­nas o suficiente para “as panelas não entrarem em greve”. Suportam os fiscais do governo provincial que chegam inva­riavelmente a ser os carrascos dos seus negócios precários. Onde está o futuro dos nossos jovens?

Desordem na fiscalização de Luanda

Os fiscais do gover­no provincial de Luanda (Gpl) perde­ram o norte, preocu­pando-se mais com os negócios das ven­dedoras ambulantes do que com o ofício.

Ser vendedor ambulante ou exercer qualquer outra acti­vidade em Luanda nunca foi tão fácil, pois diariamente sen­tem-se os “grito de socorro” ou o “Deus me acuda” de pessoas que exercem pequenas actividades lu­crativas, como construção, venda ambulante, serviço de táxis a se­rem encurralados pelos agentes da fiscalização.

A responsabilidade, o respeito pela Lei e o trabalho árduo se­riam algumas das principais ca­racterísticas que, segundo uma fonte ouvida pelo AGORA deve­ria conduzir esta importante acti­vidade laboral. No entanto, avultam queixas contra os fiscais e sobre os produtos que apreen­dem na via pública e cujo destino se desconhece.

“Há denúncias dos citadinos sobre a violação de vários direi­tos fundamentais e ainda não vi­mos qualquer julgamento, o que leva a entender que o cenário é de desordem”, desabafou Sérgio Paulo, sublinhando que a principal confusão nos mercados infor­mais e vias públicas ou paragens de táxi, tem a mão “corrupta” destes agentes, por mais contra­ditório que pareça.

Os fiscais parecem desorienta­dos na sua acção, estando nos úl­timo tempos mais preocupados com os vendedores ambulantes do que qualquer outra actividade que carece de fiscalização.

“A confusão é preocupante e o mais curioso é que no país exis­tem varias áreas de actuação, mas mesmo assim, continuam atormentar as pessoas que lutam pela sobrevivência”, disse Maria, vendedora do Zé Pirão.

Por sua vez, Conceição da Sil­va, vendedora ambulante há mais de quatro anos, C0ntou que vive o corre-corre diariamente e o que mais aborrece é a maneira como são apreendidos as merca­dorias ou produtos.

“Por vezes alvejam pessoas inocentes. Nunca são punidos conforme manda, a Lei”, recor­dou Antónia Pedro, amiga de uma jovem recentemente alveja­da por um agente policial.

Muitos deles para conseguirem aproveitar-se destes bens não uti­lizam os uniformes, sendo con­fundidos com os delinquentes.

“A ausência de ética e deon­tologia profissional dificulta o bom relacionamento entre am­bas as partes. Trabalhar com o público não é uma tarefa fácil”, explicou Ermelinda da Costa, sublinhando que esta situação tem causado grandes constran­gimentos na resolução de vários problemas, para além de acorrer, à fiscalização para reivindicar alguma coisa é uma perca de tempo.

Para diminuir o crónico quadro actual o executivo provincial de­veria ser muito mais organizado, selectivo no recrutamento do pes­soal e oferecer condições laborais atraentes, desde um salário com­patível que, ao menos, frene a corrupção.

Uma fonte ligada à fiscalização garantiu-nos que os produtos re­colhidos servem para doar ao lar do Beiral e demais organizações carentes.

A criação de uma instituição autónoma para controlar os fis­cais e, ao mesmo tempo, receber as denúncias poderia ajudar na sua especialização e formação.

Sambizanga  A repartição de fiscalização da administração do Sambizanga, em Luanda, iniciou esta semana uma cam­panha de sensibilização aos vendedores ambulantes para deixarem de vender na via pú­blica.

De acordo com o chefe da fis­calização, os vendedores ambu­lantes devem se dirigir às administrações dos mercados dos seus bairros/ para obterem lugares para a prática legal da actividade.

Bruno João Miguel lamentou a teimosia dos vendedores que têm provocado amontoados de lixo e complicado a circulação rodoviária em várias artérias do município, desaconselhando os moradores a comprar produtos quer sejam alimentícios ou não pois não garantem qualidade desejada nem permitem a recla­mação em caso de inaptos para consumo.

Para desencorajar os vende­dores/ a fiscalização tem reco­lhido de forma compulsiva os produtos, canalizando-os para instituições de caridade.

Comida cada vez mais cara

Praticamente todos os anos, depois dos festejos da qua­dra festiva os produtos muito consumidos como o arroz, a massa e o óleo alimentar regis­tam aumentos significativos, comportando-se, desta forma, durante quase todo o ano, segun­do os economistas abordados pelo AGORA.

O litro de leite pasteurizado da Lactiangol, por exemplo, em qua­se todas as lojas de Luanda pas­sou de 145 kz para quase 200 kz. O mesmo ocorre com o feijão, que em Dezembro já esteve a 700 kz, oscilando actualmente entre 250 a 500 kz e a fuba de milho a 100kz.

Nos armazéns da Arosfran os perecíveis também sofreram uma pressão para cima depois dos ru­mores, dando conta da suposta associação do patrão deste grupo empresarial a redes terroristas li­baneses, uma caixa de coxas de frango, que antes custava 3000 kz, sofreu um incremento de qua­se 50% passando para cerca de 4000 mil kz.

O aumento dos preços deriva da fraca produção interna, por­que o país depende em mais de 80% das importações. A este ní­vel cabe ao Executivo a tomada de medidas para a inversão do curso negativo das coisas, um exercício que, porém, não tem sido bem sucedido.

Aliás, no caso dos perecíveis, a Frescangol, que devia associar-se à cadeia de distribuição de bens alimentares no interior do país para reforçar a capacidade do En­treposto Aduaneiro de Angola (Eaa), há muito perdeu as rédeas, confundindo-se o seu papel no mercado com a venda esporádica de repolho no largo da Indepen­dência, principalmente aos fins ­de semana.

No primeiro curso de iniciação para os comerciantes grossistas e retalhistas o director das Alfân­degas, Sílvio Burity, havia referi­do que o Governo (agora Executivo) estaria a redefinir a actuação destas empresas em que a Frescangol também passaria a funcionar como entreposto para os produtos perecíveis e a So­ciang seria a distribuidora de mercadorias no interior.

Esta estratégia fracassou e o Programa de Reestruturação do Sistema de Logística e de Distri­buição de Produtos Essenciais à População (Presild) que se seguiu a estas iniciativas está igualmente a “flutuar” num mercado clara­mente dominado por estrangei­ros com destaque para os libaneses, malianos e senegaleses, passando estes a ditar os preços, sem concorrência.

Fiscalização

No caso dos alimentos, as autoridades deveriam impor uma “apertada” fiscalização. Isto não acontece e cada um impõe a sua regra, havendo casos em que um mesmo produto chega a ter preços muito diferentes em vários estabelecimentos comerciais.

O director das alfândegas reconheceu, ainda, que havendo concorrência reduzirão os monopólios e a especulação.

O executivo previa seleccionar 20 a 25 produtos básicos e destes oito a 10 seriam comercializados, via Eaa, e os restantes importados pelos demais grossistas. “ A existência de um número reduzido de grandes importadores de bens essenciais tem per­mitido constantes especula­ções”, defende ainda Sílvio Burity.

Pensava-se em armazenar em quantidades razoáveis para abas­tecer regularmente o mercado ar­roz, açúcar, leite condensado, chá, óleo alimentar, frango con­gelado, conservas de carne e pei­xe, material escolar, de escritório construção civil.

Mantiveram-se dúvidas quanto à inclusão do feijão catarina da fuba de milho e da farinha de tri­go, por se tratar de produtos que, apesar de terem um volume de importação significativo, os produtores nacionais poderiam, a curto prazo, assegurar o abasteci­mento do mercado.

Quem deve regular os preços dos produtos importados é o Es­tado que jamais conseguiu fazê­-lo por causa da invasão dos estrangeiros. Contudo, no caso do milho e seus derivados, horta­liças e frutas poderíamos recorrer à cintura verde que já produz a preços razoáveis, faltando, contu­do, o escoamento e as cadeias de comercialização.

“É preciso evitar que o produ­tor saia do interior com a sua mercadoria por cima de uma car­rinha alugada e venha comercializar o repolho, cenoura ou to­mate numa esquina qualquer de Luanda. Cabe às autoridades re­solver o problema da cadeia de comercialização, praticamente inexistente”, disse o economista A. Chipembele, adicionando que na lista dos principais importa­dores nunca constaram empresas angolanas, demonstrando as au­toridades falta de confiança nos empresários nacionais.

Pelo Mundo.

O preço da comi­da atingiu o record mundial em Janeiro último, mas o Brasil não tem culpa sobre este movimento. A avaliação é do ministro brasi­leiro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento sobre o papel do país nos negócios agrícolas no

 Planeta.

“O produtor brasileiro foi pe­nalizado durante anos. Só que somos eficientes e produzimos com custo baixo, colocando o produto no mercado a preço jus­to. E isso cria problemas para aquelas agriculturas altamente subsidiadas nos países ricos”, referiu, notando que a alta do preço da comida é resultado de vários factores entre eles a espe­culação financeira.

O feijão e o arroz, a base da ali­mentação do brasileiro, estão abaixo do preço mínimo. Nos países ricos como nos Estados Unidos, a maioria dos produtos agrícolas apenas torna-se compe­titivo no mercado mundial por­que os Governos dão dinheiro para que eles produzam a preços menores – são os subsídios.

A oferta de alimentos baixa em relação à procura havendo me­lhoria da renda e da qualidade de vida. Isto ocorre quando os traba­lhadores têm salários compatíveis à altura dos preços. Mas por ve­zes se este movimento não for acompanhado de uma boa produ­ção interna gera invariavelmente a ruptura dos stocks, aumentan­do os preços e daí para as convul­sões sociais é um passo.

Estimativas da FAO são preocupantes

 Fundo das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) revelou, recentemente, que em Janeiro os preços dos alimentos no mercado global atingiram o seu maior patamar.

O índice de preços subiu pelo sétimo mês consecutivo e ficou em 230,7 pontos, quando em Dezembro do ano transacto o mesmo indicador fixou-se em 223,1 pontos.

A economista da FAO, Abdo­treza Abbassian, estima que a pressão sobre os preços vai au­mentar.

“Esses preços altos provavel­mente vão persistir nos próximos meses, representando uma grande preocupação, principal­mente para os países pobres, que podem ter problemas para financiar as importações dos alimentos de outros países e para famílias de baixa renda, que gastam boa parte da sua renda com comida”, alertou.

Por seu turno, o secretário-ge­ral da Organização para Coope­ração e Desenvolvimento Económico (Ocde) reconheceu que a alta dos preços dos pro­dutos essenciais e das matérias-primass básicas (commodities) ameaça o crescimento económi­co global.

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