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Angolense

Governo atira imobiliários para o “ fogo habitacional “

Quando tiver de prestar contas ao povo sobre o seu desempenho ao longo do quadriénio 2008/12, seguramente den­tro de um ano e alguns meses, já diante de movi­mentações à volta das ter­ceiras eleições legislativas, o Governo do MPLA dirá, tudo indica, que prometeu criar condições para 1 mil­hão de casas, não construídas na totalidade, contrarian­do, além dos discursos pro­feridos por dirigentes seus espalhados pelo país, o «Ma­nifesto Eleitoral» que utili­zou na caça ao voto de há três anos.

Já se sabia, mesmo que nunca objectivamente assumido, que esta cifra foi esquecida no tempo, mas o encontro de concertação entre o Governo de Bengue­la e promotores imobiliários, há uma semana, não podia ter sido mais contundente.

 Impõe-se, hoje mais do que nunca, uma retrospectiva dos tempos em que vários especialistas, apoiados na “falta de empresas com arca­bouço e de materiais de con­strução», diziam que tudo não passava de uma conversa eleitoralista.

Perante empre­sários que apresentavam dúvidas ligadas ao acesso a áreas que beneficiarão de infra-estruturas técnicas o director provincial ao Urba­nismo e Habitação, o arqui­tecto Zacarias Kamwenho, começou por reiterar a construção de 135 mil fogos habitacionais (casas sociais) em toda a extensão da província.

Ao Estado, infor­mou. Caberá erguer um total de 12 mil fogos, ficando a maior parte por coma dos promotores imobiliários e da população, que é chamada, como se sabe, a dar corpo ao programa de autoconstrução dirigida. Aqui chegado, Za­carias Kamwenho afirmou, categórico, que «o Estado tem o compromisso com as condições para a construção de um milhão de casas».

 Tratou-se, verdade seja dita, de uma declaração contrária à estratégia apresentada ao eleitorado na altura em que, se calhar, ninguém estava à espera do agora muito apregoado programa de autocon­strução dirigida, ao abrigo do qual o Governo promete colocar infra-estruturas (ar­ruamentos, água, energia e redes técnicas) nas reservas fundiárias.

Ora, é precisa­mente o acesso a áreas infra-estruturados que inquieta promotores imobiliários, tal como fez saber Jaime Mada­leno, membro da Associação dos Profissionais do ramo, recentemente criada em nome de uma parceria que se quer sólida. E uma de vá­rias dúvidas que traduzem o atraso que caracteriza o pro­grama habitacional, até ao momento sem um balanço que apresente o número de casas sociais construídas, tanto pelo Estado como pelo sector privado, quando esta­mos a pouco mais de um ano para o final do mandato do executivo saído das le­gislativas de 2008.

“Há muita indefinição, pre­tendemos mais explicações», resumiu o empresário. Se ainda existirem dúvidas quanto à estagnação, o que parece improvável, basta dizer que Jaime Madaleno afirmou que os promotores imobiliários não vêem o prometido «empurrão» do Estado em direcção à banca, a fonte de financiamento para a sua empreitada. «Registamos indefinições no que toca a motivações finan­ceiras, uma vez que não temos o apoio junto dos bancos», sintetizou.

Outra vez no uso da palavra, a equipa do Governo de Benguela, tam­bém integrada pelo arquitec­to Lobão, esclareceu que a aquisição de terrenos deve ser feita por via do admin­istrador municipal, do go­vernador e do Ministro do Urbanismo e da Construção variando conforme a dimensão da parcela.

«O im­portante, até pelo que está definido á três anos, é que seja nas áreas onde têm sido elaborados planos. Fora disso, o negócio é nulo, deve ser denunciado pelos cidadãos.

 

Associação angolana estuda modelo namibiano

Com o objectivo de en­contrar um mecanismo que permita ao Estado diminuir consideravel­mente os gastos que tem tido no Capítulo da Urbanização em An­gola, o conselho de direcção da Associação Nacional de Apoio aos Projectos de Urbanização e Loteamento de Angola (ANAPU­LA), encontra-se em Windhoek, capital namibiana, em visita de trabalho.

A ANA PULA, uma organi­zação não-governamental, tem como objecto social a implemen­tação de estratégias e acções que concorram para a requalificação de novos bairros a nível nacional, assim como apoiar as iniciati­vas de urbanização e loteamento para fins habitacionais, além de promover o desenvolvimento da nova cultura urbanística.

Para tal, e de acordo com An­tónio Domingos de Sousa, porta­-voz da delegação, o conselho de direcção reúne-se na Namíbia, por ser um país vizinho e onde foi encontrado um modelo de ur­banização bastante estruturado, sendo um grande desafio imple­mentá-lo em Angola.

Disse ser intenção da Associa­ção, em perfeita sintonia com o Governo, estabelecer estratégias que visam evitar o nascimento de bairros desordenados, sendo, en­tretanto, «necessário que adopte­mos as experiências positivas do ponto de vista técnico, como esta que é usado na República da Na­míbia».

Ainda de acordo com o nosso interlocutor, a agenda da dele­gação esteve muito preenchida, incluindo-se entre as actividades visitas a várias cidades com mo­delos urbanísticos «impressio­nantes e possíveis de implementar em Angola. A urbanização é feita. Em função das tipologias de mo­radias destinadas para a área de intervenção, logo permite ao Es­tado colocar sistemas de abasteci­mento de energia eléctrica, água e saneamento básico num quadro bastante estruturado, em que to­dos os sectores do país intervêm no sentido de evitar lacunas.

Para ele, os membros que com­põem a Associação já possuem uma longa experiência no que toca ao seu objecto social, pelo que, recusa categoricamente um possível fracasso devido ao siste­ma burocrático existente no país.

Adiantou que o Estado verá re­duzido drasticamente os custos, com essa actividade que, podendo tê-lo a custo zero. «A Associação optará por um trabalho de urba­nização e loteamento em projec­tos auto sustentados, devendo o estado investir em infra-estru­turas básicas. Por outro lado, essas infra-estruturas poderão ser construídas com recursos que o Estado pode arrecadar com a le­galização dos referidos espaços. Logo, o Estado só tem a ganhar com esta Associação e não vemos como as autoridades se possam recusar a cooperar connosco», adiantou.

Questionado sobre a capaci­dade da ANAPULA de preparar espaços para a construção de edifícios de grande e médio por­te, António Domingos de Sousa disse que a Associação está pre­parada, uma vez que os seus asso­ciados são basicamente técnicos ligados às áreas de topografia, geologia, arquitectura, direito e a vários outros ramos do saber, o que permite, na sua óptica, «uma capacidade de execução de traba­lhos urbanísticos de perfeita qua­lidade».

Ainda na Namíbia, os dirigen­tes associativos irão beneficiar de uma formação técnica, a ser mi­nistrada por renomados técnicos sul-africanos, que se baseará em temas como requalificação de zonas degradadas, métodos de criação de infra-estruturas bási­cas em zonas habitadas, urbani­zação de espaços livres e espaços complexos. Após a formação, que durará dois dias, a delegação irá visitar as cidades de Rehoboth e Windhoek.

Criada no ano passado, a ANA­PULA será proclamada em Mar­ço próximo, em Luanda, em acto solene que, segundo soubemos, está a ser pormenorizada mente preparado, sendo a resposta dos patrocinadores nota de realce nestes primeiros meses de activi­dade. O porta-voz declarou que a Associação encontra-se aberta a novos associados que queiram, com o seu saber, contribuir para o melhoramento da estrutura urba­nística do país.

 

Associação angolana estuda modelo namibiano

Com o objectivo de en­contrar um mecanismo que permita ao Estado diminuir consideravel­mente os gastos que tem tido no Capítulo da Urbanização em An­gola, o conselho de direcção da Associação Nacional de Apoio aos Projectos de Urbanização e Loteamento de Angola (ANAPU­LA), encontra-se em Windhoek, capital namibiana, em visita de trabalho.

A ANA PULA, uma organi­zação não-governamental, tem como objecto social a implemen­tação de estratégias e acções que concorram para a requalificação de novos bairros a nível nacional, assim como apoiar as iniciati­vas de urbanização e loteamento para fins habitacionais, além de promover o desenvolvimento da nova cultura urbanística.

Para tal, e de acordo com An­tónio Domingos de Sousa, porta­-voz da delegação, o conselho de direcção reúne-se na Namíbia, por ser um país vizinho e onde foi encontrado um modelo de ur­banização bastante estruturado, sendo um grande desafio imple­mentá-lo em Angola.

Disse ser intenção da Associa­ção, em perfeita sintonia com o Governo, estabelecer estratégias que visam evitar o nascimento de bairros desordenados, sendo, en­tretanto, «necessário que adopte­mos as experiências positivas do ponto de vista técnico, como esta que é usado na República da Na­míbia».

Ainda de acordo com o nosso interlocutor, a agenda da dele­gação esteve muito preenchida, incluindo-se entre as actividades visitas a várias cidades com mo­delos urbanísticos «impressio­nantes e possíveis de implementar em Angola. A urbanização é feita. Em função das tipologias de mo­radias destinadas para a área de intervenção, logo permite ao Es­tado colocar sistemas de abasteci­mento de energia eléctrica, água e saneamento básico num quadro bastante estruturado, em que to­dos os sectores do país intervêm no sentido de evitar lacunas.

Para ele, os membros que com­põem a Associação já possuem uma longa experiência no que toca ao seu objecto social, pelo que, recusa categoricamente um possível fracasso devido ao siste­ma burocrático existente no país.

Adiantou que o Estado verá re­duzido drasticamente os custos, com essa actividade que, podendo tê-lo a custo zero. «A Associação optará por um trabalho de urba­nização e loteamento em projec­tos auto sustentados, devendo o estado investir em infra-estru­turas básicas. Por outro lado, essas infra-estruturas poderão ser construídas com recursos que o Estado pode arrecadar com a le­galização dos referidos espaços. Logo, o Estado só tem a ganhar com esta Associação e não vemos como as autoridades se possam recusar a cooperar connosco», adiantou.

Questionado sobre a capaci­dade da ANAPULA de preparar espaços para a construção de edifícios de grande e médio por­te, António Domingos de Sousa disse que a Associação está pre­parada, uma vez que os seus asso­ciados são basicamente técnicos ligados às áreas de topografia, geologia, arquitectura, direito e a vários outros ramos do saber, o que permite, na sua óptica, «uma capacidade de execução de traba­lhos urbanísticos de perfeita qua­lidade».

Ainda na Namíbia, os dirigen­tes associativos irão beneficiar de uma formação técnica, a ser mi­nistrada por renomados técnicos sul-africanos, que se baseará em temas como requalificação de zonas degradadas, métodos de criação de infra-estruturas bási­cas em zonas habitadas, urbani­zação de espaços livres e espaços complexos. Após a formação, que durará dois dias, a delegação irá visitar as cidades de Rehoboth e Windhoek.

Criada no ano passado, a ANA­PULA será proclamada em Mar­ço próximo, em Luanda, em acto solene que, segundo soubemos, está a ser pormenorizada mente preparado, sendo a resposta dos patrocinadores nota de realce nestes primeiros meses de activi­dade. O porta-voz declarou que a Associação encontra-se aberta a novos associados que queiram, com o seu saber, contribuir para o melhoramento da estrutura urba­nística do país.

 

Carlos Feijó Explica como governo chegou à proposta orçamental de 2011

O ministro de Estado chefe da Casa Civil da Presidência República, Carlos Feijó, explicou na Segunda-feira, 17, os pressu­postos pelos quais o Governo adoptou a proposta de OGE que em Dezembro acabou aprovada pela Assembleia Nacional, o par­lamento angolano.

Ao falar num encontro trimes­tral com a imprensa, instituído no quadro de uma iniciativa de transparência vigente desde Mar­ço do ano passado, Carlos Feijó apresentou o balanço da execução do OGE de 2009 e a elaboração e aprovação do relativo a 2011 como factos relevante da política económica e financeira do Estado angolano durante ano passado.

Segundo o ministro chefe da Casa Civil, os pressupostos para a elaboração do orçamento geral do Estado para 2011, assentaram essencialmente na necessidade de se manter a inflação controlada a um determinado nível.

«Neste ano, um dos pressupos­tos para a elaboração do Orça­mento Geral do Estado foi justa­mente que se definisse a inflação anual para 2011 em 12 por cento», revelou Carlos Feijó, acrescen­tando terem as autoridades con­siderado que «era realista apre­sentarmos este pressuposto, isto é, 12 por cento como meta para a inflação» e que foi a partir des­ta e outras metas que o Governo submeteu à Assembleia Nacional a sua proposta orçamental.

Outros pressupostos que po­dem ser encontrados no estabe­lecimento do quadro macroeco­nómico do Orçamento Geral do Estado, indicou, estão relaciona­dos com a expectativa da obten­ção de uma taxa de crescimento do PIB de 7,5 por cento e de um excedente orçamental ordem dos 3,5 por cento.

De acordo com Carlos Feijó, um tal excedente pode vir a ser conse­guido por via de uma redução das despesas orça mentais determina­da «muito em função» do facto de o Governo ter que «compatibili­zar» os seus gastos com compro­missos estabelecidos com o Fundo

 outras premissas para a pre­visão orçamental de 2011 estão relacionadas com a conclusão de um estudo pelo qual o Governo pretendeu clarificar as questões ligadas à formação dos preços em Angola.

De acordo com o ministro che­fe da Casa Civil, tal estudo procu­rou determinar por que razão os preços em Angola são demasiada­mente altos se comparados com outros países.

Em adição a isso, anunciou, «fez-se um estudo completo e aprofundado» sobre as causas da inflação em Angola, em que se

Uma inflação de demanda asso­ciada a criação de moeda, ou se estamos diante a uma inflação de custos ligados à oscilação ou volatilidade dos preços das prin­cipais mercadorias importadas ou até mesmo da guerra cambial entre o euro e o dólar.

O ministro chefe da Casa Ci­vil disse que a conclusão a que se chegou e na base da qual as­sentou todo o trabalho de ela­boração do Orçamento Geral do Estado e até de todo exercício macroeconómico, «apontou para o facto de, em Angola, estarmos a viver uma situação em que é

Desenvolvimentos relativos à in­flação foram influenciados pela esterilização dos impostos pe­trolíferos no sistema bancário e também «pelo uso adequado das reservas obrigatórias [dos bancos comerciais no banco central], que ajudaram como instrumentos de políticas monetárias, a combater a inflação».

«Nós, com este mecanismo de esterilização, vamos procurar fazer dele se não mesmo a pedra de toque de todo nosso exercício do combate a inflação, uma vez que a experiencia de Dezembro

Embaixada em França, além das representações comerciais na África do Sul ena Bélgica, respectivamente.

Para os próximos dias, o Tribunal de Contas propõe-se dar parecer à Conta Geral do Estado, assumido e, reafirmado pelo seu presidente, Ju­lião António.

O fiscal e a zungueira Joaquinita

Quando anunciaram o encerramento do Ro­que Santeiro, a malta do Rangel pensou logo na sua reconversão, com arrua­mentos lancilados, água potável e electricidade, parques de estacio­namento subterrâneos, bancadas de pedra de calcário e candeei­ros de iluminação nocturna para o povo comprar também as noites, zona verde e balneários moder­nos. O Tipirico, um dos mais in­teligentes do bairro, a pensar até nos elevadores, tapetes rolantes no Roque e armazéns de catego­ria com câmaras frigoríficas de conservação de frescos, WCs com azulejo, parques de estaciona­mento, tudo isto feito com bónus do petróleo em parceria entre as zungueiras e as verbas do GPL.

Só que lhes saiu!

 

As supostas «donas» do merca­do, que inventaram o mercado, e até lhe deram o nome oficial, fo­ram despachadas para além fron­teiras! E eis então que surgiu um novo tipo de zungueiras de rua, as que não aceitaram o exílio do Panguila, nem do km 35 fora de Luanda, que vestem bem, vaido­sas e mandam matacu de invejar, rosto de beleza africana genuína.

São o novo furor da cidade, mas na maioria são solteiras esfomea­das porque os maridos que eram xulos por causa dos lucros do Roque a explorarem as esposas sem vergonha, logo que se aper­ceberam que o mercado acabou, partiram para outra, deixando suas respectivas esposas soltas, milhares delas. Elas agora andam por aí, completamente solteiradas pela má sorte que a Xica dos San­tos lhes deixou enviando-as para longe da população e sem acessos, muitas a procura de marido, feitas zungueira de novo tipo.

Ontem, eram 6 da tarde, num dia de pouco sol, Joaquinita zun­gueira teve um sonho realizado. O Kota Maneco, um fiscal dife­rente, escalado nesse dia, subiu para a carroçaria do Jeep e par­tiu para a missão de perseguição às zungueiras. E o Kota Maneco, quem lhe visse naquele dia, es­tava bonito, charmoso. A farda ficava-lhe bem; os óculos eram castanho-escuro e quase novos, portanto, ainda com o brilho de fábrica.

O Jeep dobrou a esquina do beco do Zé Burro, contornou o triângulo do Rangel e seguiu em frente até bem próximo do lugar da operação de caça e busca. To­dos desceram em passo lento, em surdina, até que foram dar bem perto das zungueiras. Foram to­das surpreendidas de trás. Com­pletamente distraídas. Boa caça­da! Murmurou o Kota Maneco. Boa caçada! É hoje o meu dia!

Fala-se em rendimentos extras, de que os fiscais beneficiam com operações como esta. A recolha é enorme e diversificada: pentes de plástico, maçãs, rolos de cabe­lo, mandiocas, caixas de alfinetes, roupa de fardo, lapiseiras da Chi­na, chinelos do Brasil etc. Tudo.

 É extraordinário ver o volume de bens e produtos duma recolha dos nossos fiscais. Kota Maneco nem queria crer. Só ele, sozinho, reco­lheu da primeira zungueira caixas de alfinetes e vários enroladinhos de elástico branco vietnamita. O fogareiro com os pertences, ainda com brasas acesas sob o bombó, banana e toda a ginguba levou um pontapé. A mulher, de mais de 60 anos apenas deu mixoxo no Maneco, xingou em kimbundu e recolheu do chão apenas algumas notas de kwanzas que se espalharam. Foi atacar uma segunda (o número de mulheres caçadas de­pende muito da pulungunza do caçador e da agilidade nas curvas estonteantes que as zungueiras aplicam aos apanhadores, em ple­na corrida de meia distância) e o Kota desconsegiu Correu então para a terceira, e foi aí que tudo começou!

Quando o Kota Maneco en­trou em corrida de fundo com a terceira zungueira, estava muito longe de saber que aquela era a Joaquinita que vendia no Roque, agora solteirona militante. Uma rapariga dos seus 40 anos, bonita, usa peruca brasileira de cabelos castanhos, de corpo invejável. Ela tem a pele clara e olhos de retina clara (esta membrana interna do globo ocular onde se formam as imagens que vemos e que raríssi­mas vezes se encontra nos olhos de uma negra em cor clara), e a Joaquinita no seu andar, mesmo com a grande sacola dos produtos da zunga, ao caminhar se lhe no­tam os seios mexendo e a gingar que chega. Não usa canudo eléc­trico e faz as vendas com toques mágicos de convencer o cliente, exibindo os sacos de castanha de cajú e paracuca de ginguba. A sua cintura ainda tem as medidas de uma verdadeira miss Angola, de rabo empenado marcando a cur­vatura que enlouquece os homens, uns seios quase novinhos em fo­lha e arrendodados até marcar a diferença, lábios perfeitos. Esta é uma das poucas zungueiras qua­rentonas que podia concorrer com muitas destas jovens feitas beldades e que aparecem na re­vista da caras a mandarem bocas exibicionistas.

Kota Maneco ainda não lhe ha­via descoberto a beleza quando iniciou a berrida atrás da moça que vestia uma roupa incomum, de saia ajustada e blusa bem de­cotada no peito, mas coberta de panos, via-se logo que não era zungueira tradicional.

Ela usa um fio de ouro e brin­cos de argolas de bom diâmetro. Não se parece a zungueira; pare­ce-se a uma santa. E era ela, a que lhe calhou pelo caminho na per­seguição: a Joaquinita!

A corrida que ele empreendeu antes, foi de trás para a frente; ou seja, ele atrás dela e ela correndo a frente. Só quando se cruzaram cara a cara, ele se apercebeu que diante de si estava exactamente a linda mulher. Aquela raparigona de saia no interior mas de panos amarrados, agora de respiração muito ofegante pela corrida ex­traordinária que empreendera para se livrar do fiscal, ela, quase sem fôlego, e ele, completamente rebentado pela berrida, encon­traram-se por fim.

O fiscal zeloso agarrou-a nas mãos e fixou-lhe sem querer um olhar na profun­deza dos seus olhos. Só que lhe saiu também! Viu não uma zun­gueira mas mamas! Mamas a mexer com fio de ouro rodando o lindo pescoço, mamas tilintando ainda pela respiração comprimi­da da corrida entre os soutiens vermelhos que se agarravam ago­ra apenas por um fio.

Os cabelos da zungueira meio soltos, os seus dedos quentes e amáveis, e o fiscal agarrando-a com alguma força para dele não se soltar. Um dos panos da Joaquinita havia caído no percurso e um dos chinelos se havia soltado do pé. Estava meia nua, naquela condição com qua­se metade das vestes. A blusa da zungueira havia penetrado ape­nas dum lado do pano e via-se perfeitamente parte da sua trans­pirante e bonita barriguinha.

O Kota apertou ainda mais as mãos da Joaquinita, recolheu-a mais para próximo de si e falou-lhe bai­xinho qualquer coisa que ela não entendeu. Perante Deus, estavam ali uma zungueira e o Kota, feito fiscal, sortudo duma figa, num espaço cercado pelas aduelas dos quintais daquele beco, já a noite ameaçando chegar. Juro-vos que aconteceu. Sem nenhum tran­seunte por perto e de mãos agar­radas. Só os dois: a Zungueiras e o fiscal. Já era um pouco tarde, o sol a pôr-se de longe e no beco onde a apanhou, não estava viva alma! Juro-vos que aconteceu!

Ainda as respirações estavam aceleradas, os corpos quentes e trémulos, agarrados. Ela então começou a suplicar. Abriu a pas­ta e tinha: 9 sacos de castanha de cajú, 5 sacos de paracuca, alguns pertences pessoais e rolos de ca­belo. Era a mercadoria toda. Com lucros calculados em cerca de 600 Kz/dia. M

as não era a mercado­ria agora que interessava mais ao Kota. Que zungueira é esta nos meus braços? Nem acreditou. O momento era de grande excitação e emoção. Ela com os seus haveres na sacola que agarrou sem largar, e o fiscal, sempre agarrado a ela com toda a força do mundo, apro­ximou mais o peito, o rosto e mais uma vez balbuciou carinhosas palavras, contrárias ao ritual, que consiste em amordaçar a vítima agredindo-a em caso de resistên­cia, e até há fiscais que treinaram baçulas especiais para zunguei­ras, até lhes colocarem em posi­ção de KO. O kota não lhe agiu. Pelo contrário, ficou estupefacto!

Contudo, ao reparar na atitu­de amável e simpática do fiscal, a mulher, desconfiada, lhe deu uma olhada daquelas! Ele vibrou, sorriu com olhar de malandro e a abraçou finalmente.

Olhou para os lados, ninguém! Encheu-se então de toda a coragem e apron­tou-se a beijá-la. A zungueira, (solteirona é assim gente, como diria o brasileiro) correspondeu! Aprontou-se a concluir a retirada da outra alça da blusa descaída, e ela correspondeu. Apertou-lhe nos seios carinhosamente, e ela correspondeu. Voltou a beijá-la e ela sorriu de alegria.

Ela penetrou o olhar nele, no Kota Maneco, apenas alguns anos mais velho que ela, e ficou encantada com o charme do Kota: era atraente, um fiscal diferente, até o suficiente para lhe convencer a não abdicar da sua formosura masculina, e ti­nha os óculos escuros que sempre lhe encantaram. Estava cheiroso.

Ela apertou o cerco, passou a mão pela clavícula do soberbo homem e prendeu-o contra si, buscando-­lhe o aconchego. E voltaram a beijar-se, mas desta vez sem o úl­timo pano, ela feita uma beleza, descoberta por instantes, até que ela se debruçou e recolheu o pano que lhe havia no quadril.

Completamente estupefacta com o perfil do fiscal, charmoso, cheiroso e afável, conquistador e meigo, quase  cinquentão mas vigoroso e macho de verdade, era um fiscal que qualquer mu­lher sonha encontrar nas corri­das que se dão por aí na cidade.

Nem sempre elas têm essa sorte. Fiscal é sinónimo de brutalidade e arrogância. Tem fama de ladrão e mau. Não usa perfume apesar se saber que lida com mulheres. Fiscal hoje disparata zungueira.

Bate com pau e até esmaga fruta com os pés. Dá surra até a mulher mostrar as cuecas ao público que a zomba depois. Fiscal corre e dá baçula sem piedade. E o Kota Ma­neco ali estava diferente. Encan­tador. Peça de homem para mulherada e solteironas. Joaquinita ficou com água na boca. É nisso que dá ficar solteirona.

Já não foi necessário entregar a sacola pendurada noutro braço, onde havia mercadoria da nzun­ga. O Kota Maneco estava nas nú­vens, deliciando com os olhos e as mãos a sua zungueira, totalmente apaixonado. Indireitou a camisa e soltou a zungueira, apertou os botões deixando-lhe seguir em paz com a as castanhas. Fora um momento histórico. Nunca tinha visto um fiscal a beijar uma zun­gueira!

 

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