Devido ao tráfego acelerado nas vias, as passagens aéreas para peões, construídas na cidade a capital, visavam ser a solução para a travessia segura dos peões. entretanto, as pontes, ao contrário, tomaram-se “casas” de vândalos, que aproveitam o local para cometerem crimes, inclusive de violações sexuais de menores.
Hoje, as passagens aéreas são inundadas de lixo e, inclusive, dão lugar a mercados. Em algumas, onde a situação é mais grave, os marginais aproveitam para se drogarem e assaltarem as vítimas, o que afasta os potenciais usuários dos espaços para travessia.
Quem vê o exterior da então conhecida ponte do Jumbo não faz ideia de como é o seu interior, se não fizer o uso dela. Ao entrarmos na ponte nos deparamos com um cheiro nauseabundo causado pelas fezes que estavam no chão, mais adiante, o caminho estava interditado por três jovens, que, ao que apuramos, vivem na passagem aérea onde encontramos lenhas e latas que usavam como panelas.
Os jovens estavam a fumar o que deixou no local um forte cheiro. Procuramos saber porquê que estavam aí mas os mesmos recusaram-se a dar qualquer resposta. Após insistência, um deles disse que o espaço não representa perigo, mas que precisa ser limpo, porque o lixo que lá estava provocava um “cheiro insuportável”.
Um vendedor contou-nos o caso de um indivíduo que arrastou uma menina de 7 anos desde a Petrangol até a ponte para viola-la. “Foi o lugar mais isolado que ele viu, sem polícia”, disse, acrescentando que são frequentes os casos de assaltos no interior da ponte. Outro jovem que vendia produtos no local disse que pouca gente faz uso da ponte.
“Acho que é preguiça em subir a ponte e por vezes a sujidade que lá tem e não só, a ponte é muito assustadora, porque se te acontece alguma coisa aí ninguém vê, ela não é feita de material transparente, por exemplo, como a do mercado dos Congoleses”, referiu, considerando, por isso, que o espaço “é um convite aos bandidos.
Teresa Luís, que vende refrigerantes na paragem do táxi ao lado. Ela disse que a ponte representa um grande perigo. “Eu mesma já assisti três casos de violações sexuais aqui na ponte e nas três vezes tratavam-se de crianças, mas não foram os únicos casos, porque já ouvi falar de mais”, informou, tendo acrescentado que, num dos casos, a menina só não foi violada porque os moços que vedem gasosa na ponte agarram o agressor e o levaram para a esquadra. “Essa ponte é o esconderijo de bandidos, desde que foi construída há muitas violações sexuais e assaltos. Nós nem passamos por ela para não correr o risco de nos receberem as pastas e o negócio”, disse.
Uma outra vendedora disse que a polícia não vigia a ponte. “Nunca vi polícia na ponte para se certificarem de que as pessoas passam em segurança, há muitos malucos na ponte e eles nunca são retirados de lá “, reclamou.
No momento em que fazíamos a reportagem só um senhor idoso é que fez a travessia pela ponte. Na sua maioria, os peões preferiram enfrentar os carros na estrada, inclusive uma mulher com bebes.
Ponte de Viana transformada em mercado
Na Vila de Viana, bem ao lado da estação dos caminhos-de-ferro, foi construída, no ano passado, uma passagem área, que cobre as duas vias. Os ferros estão pintados de cor amarelos, há redes pretas nas laterais, permitindo maior segurança para os usuários. Na entrada e na saída há uma rampa.
Nessa passagem passam desde motorizadas, carros de mão e várias pessoas. Os moradores de Viana, na altura da inauguração, mostraram-se felizes com a infra-estrutura, visto que naquela área eram frequentes os acidentes, devido a excesso de velocidade e falta de iluminação. Com a passagem área o problema ficava resolvido.
Mas, fazendo jus ao ditado segundo o qual “a alegria do pobre dura pouco”, mal foi inaugurada a passagem área, as vendedoras transformaram-na em mercado, onde se vende de tudo, desde alimentação, telefones, jóias, roupas, bebidas e outros artigos.
Segundo uma das vendedoras, que disse que só começou a vender no local naquele mesmo dia, a maior dificuldade que verificou é a presença constante dos agentes da polícia. “Vendo chinelas, cada custa quinhentos Kwanzas, compro a caixa no São Paulo e venho revender aqui. O negócio está a andar bem, porque agora muitos fazem o uso do comboio e quando chegam, passam por aqui para atravessar.”, disse. Questionamos-lhe sobre quem faz a limpeza no local mas a mesma não sabia responder. “Nós só viemos vender, não sabemos nada sobre a limpeza”, respondeu.
